O que são os domingos Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima?

Antes do início da Quaresma, a tradição litúrgica mais antiga da Igreja Latina reservou três domingos com um caráter muito particular: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima. Esses nomes, de origem latina, indicam uma contagem simbólica de dias que antecedem a Páscoa e marcam um tempo pedagógico de preparação espiritual para o grande itinerário quaresmal.

O Domingo da Septuagésima abre esse ciclo. A Igreja começa a mudar o tom da liturgia: o canto do Glória e do Aleluia é suprimido, as vestes passam ao roxo, e a Palavra de Deus conduz os fiéis a uma reflexão mais profunda sobre a condição humana, o pecado e a necessidade da graça. É como um “sinal de alerta” espiritual, convidando cada cristão a despertar do comodismo e a voltar o coração para Deus.

Segue-se o Domingo da Sexagésima, que destaca a importância da escuta da Palavra, geralmente por meio da parábola do semeador. A Igreja recorda que a conversão não é apenas exterior, mas nasce da acolhida sincera da Palavra no coração.

Por fim, o Domingo da Quinquagésima orienta o olhar para Jerusalém e para o mistério da Paixão do Senhor. A liturgia já aponta diretamente para o caminho da Cruz, preparando interiormente os fiéis para entrar, poucos dias depois, no espírito penitencial da Quaresma.

Esse período, muitas vezes pouco conhecido hoje, revela a sabedoria pastoral da Igreja: antes de propor o jejum, a penitência e a disciplina quaresmal, ela prepara o coração dos fiéis de maneira gradual. Trata-se de um tempo de transição, de recolhimento interior e de tomada de consciência da própria vida espiritual.

Assim, os domingos da Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima não são apenas marcos do calendário antigo, mas um convite sempre atual: preparar o coração, silenciar o espírito e dispor a alma para viver com profundidade o caminho quaresmal rumo à Páscoa.

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